‘O presidente é o comandante que não sabe liderar’, diz governador de PE após saída de ministro da Saúde

'O presidente é o comandante que não sabe liderar', diz governador de PE após saída de ministro da Saúde

Paulo Câmara lamentou, nesta sexta (15), o pedido de demissão de Nelson Teich. Ele lembrou que essa foi a segunda perda na chefia da pasta, em meio à pandemia.

“Nossa única guerra é contra a Covid-19. Nela, infelizmente, o presidente é o comandante que não sabe liderar. A frase foi postada em rede social, nesta sexta-feira (15), pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), ao comentar a saída do ministro da Saúde, Nelson Teich, que justificou a demissão do cargo, no início da tarde, durante pronunciamento, em Brasília.

Teich deixou o ministério um dia antes de completar um mês no cargo e em meio à explosão de casos e mortes pela epidemia do coronavírus. Ele não explicou o motivo que o levou a tomar a decisão.

Nos últimos dias, no entanto, Teich e o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), divergiram sobre alguns temas, diante da pandemia.

Entre eles estavam o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19, o decreto que liberou salões de beleza, barbearia e academias de ginástica e os termos do fim das medidas de restrição no país.

Paulo Câmara lamentou a saída de Teich, que substituiu o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, demitido pelo presidente, em abril.

“Em menos de 30 dias, em uma fase crítica da pandemia, o Brasil perde o segundo ministro da Saúde. Gestores locais têm adotado um caminho para combater a crise, ouvindo a ciência, o país parece não ter encontrado um. E milhares de vidas seguem expostas”, afirmou.

O governador de Pernambuco criticou a postura do presidente, diante da pandemia do novo coronavírus. “O presidente só investe em divisões internas e externas, a população sofre, disse.

Câmara considerou inadequada a postura do governo federal nas ações para enfrentar o vírus. “Não se pode enfrentar uma pandemia pautado por ideologia, sem considerar ciência e realidade”, afirmou.

Durante entrevista transmitida pela internet, nesta sexta, o secretário de Saúde André Longo comentou as ações do governo federal diante da pandemia.

“A sociedade brasileira tem assistido perplexa a essa instabilidade no mais alto cargo sanitário do país, num momento como este. Isso traz uma preocupação grande. A gente lamenta que haja essa instabilidade”, afirmou.

Para o secretário, a instabilidade prejudica o trabalho em todo o Brasil. “Gostaríamos muito de que pudesse prevalecer, neste momento, um ambiente em que pudessem ser feitas as pactuações necessárias dentro do SUS, para que pudéssemos superar esse momento num ambiente mais harmônico”, disse.

Longo também disse que “só a doença tem a ganhar”, em meio aos problemas. “Ou a gente consegue criar um ambiente para superar isso nos próximos 15, ou 20 dias, ou quem vai ganhar, infelizmente, é o vírus”, declarou.

Mais críticas
No dia 3 de maio, Câmara criticou a postura de Bolsonaro, após as agressões sofridas por jornalistas, durante uma uma manifestação antidemocrática e inconstitucional, em Brasília. O presidente participou de um evento que teve como alvo o Supremo Tribunal Federal (STF).

Na época, chefe do Executivo pernambucano, declarou: “o enfrentamento à pandemia, uma guerra pela vida, agora acontece ao lado de outra luta, em defesa da democracia brasileira”.

Em discurso aos manifestantes, o presidente Bolsonaro, em um tom de desafio aos demais poderes, pediu a Deus para não ter problemas nesta semana porque, segundo afirmou, “chegou ao limite”.

Dados
Mais 83 mortes e 621 novos casos de pacientes com Covid-19 foram confirmados, nesta sexta-feira (15), em Pernambuco (veja vídeo acima).

Com isso, a Secretaria Secretaria Estadual de Saúde (SES) contabilizou, ao todo, 1.381 óbitos e 16.209 confirmações de pessoas com o novo coronavírus desde o começo da pandemia, em março.